Prototipação e a Usabilidade

Ontem nós tivemos a terceira aula do Seminário de Design de Jogos da Riachuelo Games, ministrado pelo Antônio Marcelo, e a mesma foi bastante interessante.

O assunto em pauta foi a prototipação e o playtest, onde o professor relatou suas experiências práticas no desenvolvimento de jogos de tabuleiro, desde o processo criativo até detalhes do processo de publicação. E foi levantado um ponto muito válido: faça seus protótipos em “papel de pão”! Ou seja, não gaste esforços extras para criar os componentes do protótipo – tabuleiro, peões, cartas, etc, pois como se trata de um protótipo as chances são altas de que quase tudo não vai sobreviver às primeiras rodadas de testes. E isso pode causar até um desânimo, afinal você se esforçou tanto para fazer tudo tão bonitinho mas ficou uma porcaria, não é?

A dica é justamente se preocupar com as clareza das regras, com o balanceamento dos elementos de jogo e, principalmente, com uma análise minuciosa das sessões de playtesting. Deixe o design bonitinho apenas para quando o jogo estiver pronto. Ou melhor, para quando ele estiver plenamente jogável – afinal ainda neste estágio ele ainda pode sofrer modificações. O caminho até a publicação é longo.

Acontece que também ontem eu tive acesso à um paper intitulado Avaliação da Usabilidade no Processo de Desenvolvimento de Jogos, e apesar de ainda não tê-lo lido por completo eu tenho muita noção do papel crucial desempenhado pela usabilidade, não só em jogos – digitais ou não – mas em todo tipo de produto que envolva interação com seres humanos. Por exemplo, existem modelos de celulares que possuem muitos botões, mas eles são pequenos, ou seja, usabilidade no lixo. Os teclados tipo QWERTY que nós usamos no Brasil não prestam para nós, pois já foi comprovado que outros layouts colaboram para uma maior velocidade de digitação – culpa da capacidade humana de se adaptar à qualquer situação, inclusive às ruins.

Se entrarmos na área de software então a coisa toma proporções colossais, eu diria, que existem desde o início da era dos computadores. Enfim. O ponto que quero explicitar aqui é um que eu vim pensando hoje no ônibus, a caminho do trabalho:

Tudo bem que não devemos nos preocupar com questões estéticas durante a prototipação do produto, mas e quanto à usabilidade?

Ao me questionar isso eu pude perceber que se o game designer não tiver um conhecimento mínimo de usabilidade ele pode acabar planejando um protótipo com alguma falha desta natureza, e o que é pior, durante o playtesting ele pode não identificar o problema exato e acabar mexendo em outra parte do jogo que talvez estivesse funcionando até bem.

Foi então que percebi, mais uma vez, o papel importantíssimo que a usabilidade tem no desenvolvimento de jogos de tabuleiro. Como muitas vezes estes tipos de jogos são desenvolvidos por uma ou duas pessoas na maior parte do processo de criação, se nenhum deles tiver, já de início, a noção de usabilidade, existe um risco enorme de um problema passar despercebido, ou pior, desviar a atenção para uma parte que estaria funcionando bem se a usabilidade do protótipo estivesse melhor.

Dito isto, eu pretendo começar a estudar, também, usabilidade com mais carinho e neste caso sei que além de me ajudar com o meu hobby também será de grande valia para a minha área de trabalho.

Aconselho vocês a fazerem o mesmo. 🙂

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8 Responses

  1. Fala, Álvaro.

    Estava começando a responder seu post, e notei que ia dar material para escrever um artigo inteiro. 🙂
    Ainda hoje publico e credito seu blog, como “fonte inspiradora”.

    Ah, não sei se o seu “bloqueio criativo” continua, mas esbarrei num artigo interessante sobre isso, de um site que tem muita coisa legal:

    http://www.mrsunstudios.com/2008/10/5-things-to-do-when-youre-stuck-developing-your-game/

    Grande abraço,

  2. Fala Alvaro…

    Ontem acabou acontecendo um fato inusitado, não pude participar do nosso seminário justamente por estar testando um protótipo do Camilo (tudo devidamente registrado no blog)….

    Mas achei seu post muito bom, vou ler tudo que vocês indicaram, esse papo está realmente muito interessante…

    Abraços…

  3. (meus comentários estão saindo?)
    Fiz o post, Álvaro. Depois dá uma olhada! 🙂

  4. @Raphael: Não sei porquê, mas o wordpress resolveu voltar a te moderar. Mas já resolvi o problema. 🙂 Quanto ao bloqueio criativo eu nem sei dizer de fato porque ainda não voltei ao jogo (na verdade surgiram mais dois designs na minha cabeça, ainda tenho que organizar isso). Vou dar uma lida nesse artigo que vc mandou, pode deixar.

    @Cacá: Eu conferi o post lá no blog. Muito legal! Espero que logo, logo eu possa estar relatando experiências similares por aqui. 😀

  5. […] não prestam para nós, pois já foi comprovado que outros layouts … Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: […]

  6. […] por completo eu tenho muita noção do papel crucial desempenhado pela … Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: […]

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